{"id":2675,"date":"2022-12-22T17:04:45","date_gmt":"2022-12-22T17:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/midialab.org\/site\/?p=2675"},"modified":"2022-12-23T07:33:38","modified_gmt":"2022-12-23T07:33:38","slug":"mocambique-palco-de-crimes-florestais-made-in-china-que-em-nada-beneficiam-a-populacao-local-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/midialab.org\/site\/mocambique-palco-de-crimes-florestais-made-in-china-que-em-nada-beneficiam-a-populacao-local-2\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique continua palco de crimes florestais \u201cMade in China\u201d"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"872\" height=\"474\" src=\"https:\/\/midialab.org\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2676\" srcset=\"https:\/\/midialab.org\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-3.png 872w, https:\/\/midialab.org\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-3-300x163.png 300w, https:\/\/midialab.org\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-3-768x417.png 768w\" sizes=\"(max-width: 872px) 100vw, 872px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, especificamente da madeira, em Mo\u00e7ambique, tem tomado rumos assustadores nos \u00faltimos anos, situa\u00e7\u00e3o que deixa moradores locais muito assustados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique \u00e9 um pa\u00eds com alto potencial \ufb02orestal, com cerca de 40,6 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rea \ufb02orestal e 14,7 milh\u00f5es de hectares de outras \u00e1reas arborizadas. As \ufb02orestas produtivas cobrem cerca de 26.9 milh\u00f5es de hectares, n\u00famero que vem reduzindo devido ao abate ilegal de \u00e1rvores para a produ\u00e7\u00e3o de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1 t\u00edtulo de exemplo, o \u00faltimo relat\u00f3rio da Environmental Investigation Agency (EIA), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Brit\u00e2nica, responsabiliza a China de estar efectivamente exportando o desmatamento ao redor do mundo, tendo conclu\u00eddo que quase totalidade da madeira importada pela China de Mo\u00e7ambique (93%), resulta de abates ilegais, colocando o desbaste nas florestas muito al\u00e9m dos n\u00edveis sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Juli\u00e3o Mutuque \u00e9 um jovem de 31 anos de idade. Reside no distrito de Mabote, na prov\u00edncia de Inhambane desde o seu nascimento. Carpinteiro de m\u00e3o cheia, desde os 15 anos. Usa a madeira no seu dia-a-dia, e descreve o desmatamento que tem vivenciado como assustador nos \u00faltimos anos, e aponta os culpados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs \u00e1rvores est\u00e3o a acabar por causa do abate protagonizado pelos chineses. Tinhamos abund\u00e2ncia de Mecrusse, Cimbirre, Chanfuta e outras esp\u00e9cies, mas desde que os chineses chegaram nas nossas matas, tem sido raro encontrar estas esp\u00e9cies por aqui. H\u00e1 um e outro Mo\u00e7ambicano a extrair, mas os chineses constituem o grosso n\u00famero, e n\u00f3s os moradores de Mabote s\u00f3 ficamos com os restos de madeira e n\u00e3o temos benef\u00edcio nenhum disso\u201d, referiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 vivenciada por muitos Mo\u00e7ambicanos e tem sido denunciada h\u00e1 anos pelos residentes das provincias de Tete, Manica, Cabo-Delgado, Sofala, Zamb\u00e9zia, Manica, e outros onde este recurso \u00e9 muito abundante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique \u00e9 um dos mais proeminentes exportadores de madeira da \u00c1frica. A maioria das exporta\u00e7\u00f5es (uma m\u00e9dia de 96% entre 2007 e 2013) foram enviadas de navio para a China, uma percentagem abismal, se comparada com a que \u00e9 usada para a produ\u00e7\u00e3o de carteiras escolares no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2014, a Universidade de Eduardo Mondlane (UEM) publicou um estudo estimando a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira em Mo\u00e7ambique, onde consta que em m\u00e9dia 66% de toda a extra\u00e7\u00e3o de madeira entre 2007 e 2012 n\u00e3o foi licenciada, correspondendo \u00e0 2,666,942 m3.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 2013, quando Mo\u00e7ambique se tornou o maior fornecedor africano de madeiras (por valor econ\u00f4mico) para a China, 46% dos 516,296 metros c\u00fabicos (m3) da importa\u00e7\u00e3o chinesa de madeira de Mo\u00e7ambique foram contrabandeados para fora do pa\u00eds, mantendo o padr\u00e3o e a escala dos crimes cometidos por companhias chinesas j\u00e1 documentados pela EIA em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 no per\u00edodo entre 2007 e 2013, estima-se que 145 milh\u00f5es de d\u00f3lares de receitas fiscais foram perdidos devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. Apesar do grande potencial florestal que o pa\u00eds apresenta, a sua contribui\u00e7\u00e3o para o PIB s\u00f3 varia de 2 a 4%, uma contribui\u00e7\u00e3o considerada bastante reduzida; inversamente, a taxa de desmatamento anual \u00e9 bastante alta, variando de 0.21 a 0.58%.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a isso, o docente e ambientalista Carlos Serra, em entrevista, referiu que as consequ\u00eancias do abate descontrolado de \u00e1rvores para a produ\u00e7\u00e3o de madeira, para al\u00e9m de empobrecer o pa\u00eds, amea\u00e7a a biodiversidade, podendo criar um desequil\u00edbrio ambiental, o que por sua vez acabaria provocando perda da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, e agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como forma de colmatar, Serra acredita que \u201c\u00e9 fun\u00e7\u00e3o do governo fiscalizar e promover pol\u00edticas, estrat\u00e9gias e procedimentos para que haja a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental por parte dos operadores florestais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a engenheira Florestale pesquisadoras\u00e9nior da Terra Firma, Maria Muianga, a explora\u00e7\u00e3o ilegal da madeira e a corrup\u00e7\u00e3o em Mo\u00e7ambique podem ser verificadas em todas etapas da cadeia, desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da cumplicidade e do envolvimento chin\u00eas nestas actividades, a maior responsabilidade recai sobre a fraca governa\u00e7\u00e3o verificada no pa\u00eds, o que conduz a um maneio insustent\u00e1vel dos recursos. Uma das causas do maneio insustent\u00e1vel, cita Muianga, pode ser a falta de transpar\u00eancia na aloca\u00e7\u00e3o dos direitos e uso das \ufb02orestas aliada \u00e0 pouca disponibilidade de dados-chave do sector para acesso livre \u00e0s partes interessadas e ao p\u00fablico em geral, e as falhas institucionais que n\u00e3o permitem o cumprimento das leis e regulamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutro factor importante, que tem in\ufb02uenciado no maneio insustent\u00e1vel, \u00e9 a fraca fscaliza\u00e7\u00e3o; n\u00e3o h\u00e1 controle sistem\u00e1tico nas \u00e1reas de corte, o que aumenta o risco de incumprimento das leis; o controle sobre o movimento \u00e9 bastante prec\u00e1rio e ineficiente, e este cen\u00e1rio, aliado \u00e0 fraca disponibilidade de meios de fiscaliza\u00e7\u00e3o e um corpo de fiscais devidamente treinados, favorece \u00e0 ocorr\u00eancia de actividades ilegais\u201d, rematou.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrito por: Brito Duarte, Jornalista do M\u00eddia Lab<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, especificamente da madeira, em Mo\u00e7ambique, tem tomado rumos assustadores nos \u00faltimos anos, situa\u00e7\u00e3o que deixa moradores locais muito assustados. 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